A policia cercou o IGC e depois de muita confusão com carros, camburões, policiais revistando carros na rua lateral ao IGC, helicópteros de policia com holofotes sobre o prédio e coisas assim, houve enfrentamento da policia com os estudantes e agora temos estudantes na policia federal e outros fazendo exames de corpo delito. Um professor do IGC tentou mediar a situação e tambem foi espancado pela policia.
Nunca fatos como estes foram presenciados em uma universidade como a nossa.
Nunca, nem na ditadura militar, filmes foram proibidos e a policia foi acionada desta maneira para bater em estudantes e professores
Nós, que estávamos no campus quando isso aconteceu resolvemos acionar a comunidade academica da UFMG para que talvez alguem possa nos ajudar a entender quando foi que a universidade perdeu totalmente o senso de medida e o sentido do que é um espaço publico de educação."
Noutro jornaleco mineiro, o A Tarde, um dos poucos meios de comunicação que deu alguma atenção ao caso ocorrido dentro da minha universidade, a UFMG, saiu a seguinte reportagem:
Cerca de 50 alunos do curso participavam do "filme-debate". Os estudantes não teriam permitido a retirada do filme e teve início a confusão. A Polícia Militar foi chamada e os policiais impediram que os universitários deixassem a arena do IGC. Um aluno do 1º período - cujo nome não foi divulgado - tentou deixar o local e foi algemado, sendo preso sob a alegação de desacato à autoridade.
Estudantes tentaram impedir que os policiais deixassem o local com o detido. Alguns sentaram na frente da viatura e foi iniciado o confronto. Um aluno e uma universitária sofreram ferimentos leves e foram atendidos no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. O estudante preso foi levado para o Juizado Especial Criminal e Cível de Trânsito. Ele foi liberado no final da noite.
Num comunicado, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou que "uma sessão de cinema foi impedida a cacetadas pela" PM, que foi "convocada e autorizada a agir pela Reitoria". O DCE solicitou retratação pública por parte da Reitoria e a abertura de um inquérito administrativo para punição dos responsáveis pela entrada da PM no campus.
Repúdio
Em nota assinada pela a vice-reitora e reitora em exercício da UFMG, Heloísa Starling, a Reitoria da universidade lamentou os fatos, "inteiramente estranhos à civilidade que caracteriza o ambiente acadêmico". A nota afirma que a instituição "repudia qualquer ação de violência praticada; informa que não autorizou nem a presença nem a ação da Polícia Militar e esclarece que serão tomadas providências para apuração dos fatos e das responsabilidades".
No comunicado, a reitora em exercício afirma que o reforço da segurança foi solicitado para garantir o cumprimento da deliberação da diretoria do IGC. Afirmou que depois ficou sabendo que a decisão não havia sido respeitada e ocorria um tumulto na unidade acadêmica, com a intervenção da PM. Disse ainda que entrou em contato com o Comando da PM para esclarecer o ocorrido e solicitou que o procurador-geral da universidade acompanhasse o registro policial do estudante detido. Um assessor da Reitoria acompanhou o atendimento dos estudantes feridos."
O mesmo assunto, de tamanha gravidade, recebeu - na sexta-feira, dia 04 - por parte do jornal Estado de Minas uma notinha de rodapé:
"Estudantes agredidos durante debate na UFMG
Pelo menos uma estudante universitária ficou ferida e outro foi detido, na quinta-feira à noite, durante um debate no Instituto de Geociências, no câmpus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O evento, organizado por alunos da escola, discutia a legalização da maconha, com base na exibição de um filme sobre o assunto.
Pelas informações iniciais, policiais militares entraram no câmpus, cercaram o prédio, no qual estariam cerca de 200 alunos, alguns em aula, gerando clima de tensão. A estudante que teria sido atingida sofreu ferimento na cabeça e foi socorrida no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII."
Há o vídeo [acima, no YouTube], mostrando o momento da prisão do estudante. Além do autoritarismo, reinante em nossas instituições de - pasmem! - educação, há ainda uma polícia que pensa estar no Mineirão [estádio de futebol], onde eles cometem barbaridades e nada lhes é imputado como responsabilidade, pois gozam de repaldo legal para agredir moralmente e fisicamente os torcedores, meramente por estar diante de uma multidão, vigendo a lógica do "se alguém morrer, ninguém sabe quem foi!" Os comentários que se seguem ao vídeo, logo abaixo dele, não são melhores. Mostram como alguns estudantes e a comunidade belohorizontina em geral desvalorizam os direitos garantidos pela Constituição da República e pelo Estado Democrático de Direito tão duramente conquistados após mais de 20 anos de chumbo grosso. Em troca de uma estigmatização política barata contra outras unidades acadêmicas [no caso o IGC, sabidamente um reduto ainda atuante da esquerda estudantil, comumente taxados de "maconheiros"]. Nada novo, porém, no horizonte. As mesmíssimas querelas se evidenciaram no conflito que ocupou a reitoria da USP ano passado: as de uma universidade dividida em classes e interesses próprios e onde os mais fortes ganham, sempre.
Novamente nos vemos reféns de uma polícia militar que defende os interesses autoritários de uma parcela da sociedade igualmente autoritária.
